26 de novembro de 2012

Novas vitrines pedem Anos 70 sem disco, Militarismo sem verde e Medieval sem preto total

JEFF MACHADO COSTA
Especialista em visual merchandising, produtor e diretor artístico


Investir numa vitrine no olho do furacão da crise econômica no Brasil pode ter três interpretações: ostentação, desespero ou inteligência não compreendida. Eu prefiro ficar com a terceira opção!

Para alguns especialistas, a vitrine é um vendedor silencioso. Não concordo. Pelo contrário, acho que sua mensagem pode chegar como um grito para os consumidores, melhor ainda se combinar como aquelas músicas chicletes que você escuta sem querer e fica o dia todo na repetindo na sua cabeça. A vitrine deve ser o melhor vendedor de um estabelecimento comercial.

Manequins
E por falar em cabeça, os manequins podem não ter cabeça; agora, caso tenham braços, mãos são obrigatórias. Bustos são chiques. Nada de manequins brancos ou pretos para o outono-inverno deste ano; o que está em alta são bege, caramelo, ouro-velho ou bronze, de preferência foscos. Eles ficarão lindos se usados em composição com tons terrosos, típicos da estação.



O marrom avermelhado, chamado de Marsala (tipo de vinho fortificado produzido nos arredores da cidade que lhe dá nome, na Sicília, Itália), será a cor de 2015 segundo a Pantone, autoridade mundial em cores e criadora de padrões de cores profissionais para as indústrias de design. Marsala combina com cinza forte, carmim, verde-escuro, azul-petróleo e taupe, conhecida como "café com leite" ou "cor de burro quando foge" e que nada mais é do que a mistura de cinza com marrom.

Temas
Para montar a vitrine de lançamento da coleção de outono-inverno, existem três temas bem interessantes, de acordo com as tendências: Anos 70, Medieval e Militarismo. Mas você está proibido de misturar os três no mesmo espaço!



Abuse de referências hippie, como patchwork (de preferência dos mesmos tons), cortinas de franjas e violões. Ou livros antigos, candelabros e baús, para lembrar a Idade Média. No Militarismo, prefira as missões de paz. Ninguém merece viver sob regras, num quartel ou no front. E atenção: neste outono, por favor, esqueça as folhas e galhos secos!
 
Não fique de fora
# Preste atenção nos objetos ou situação reproduzida para não caracterizar outra estação ou ficar fora do contexto;
# Nunca coloque seus produtos dentro de cestos. A primeira mensagem preconceituosa que passa é que as peças estão no balaio, são sobras, estão “fora de moda”, não voltarão por um bom tempo e é preciso se livrar delas;
# Calçados no alto evidenciam a sola. Coloque-os sempre abaixo da altura dos olhos de uma pessoa de estatura média;
#  A exposição de bolsas é mais livre, porém as pequenas nunca devem ficar no chão;
# Peças em cabides na vitrine? Apenas se estiverem de frente ou de costas. Pilhas de camisetas ou blusas dobradas? Só no interior da loja;

# Exemplares do mesmo produto em cores diferentes não devem estar próximos na vitrine;
# Cuidado com o perigo da rotatividade de mercadorias. Mudar a todo instante o que está exposto faz com que o cliente tenha dificuldade em achar aquilo que não pôde adquirir naquele rápido momento. O tempo mínimo para o Ciclo de Vitrine Semanal são três dias; o máximo, sete dias.
# Priorize o centro e o lado esquerdo;
# Decida por simetria ou desordem, que nada mais é do que uma desconstrução organizada e proposital;
# Quanto menos cores utilizadas, mais chamativos vão ficar seus produtos;
# Crie a sensação de aconchego para o frio que está chegando, porém não se esqueça que o uso de muitos enfeites está diretamente relacionado à quantidade de cores utilizadas e ao tamanho dos adereços. Ou seja, menos objetos permite diferentes cores; mais objetos, poucas cores para não perder o foco. O ideal mesmo é usar no máximo três tonalidades;
# Tudo é luz. Uma iluminação errada pode transformar algo conceitual em cafona;
# Nunca mostre tudo que sua loja tem de uma única vez na vitrine; este é o maior erro.

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